Bom, vamos começar entendendo um pouco da bioquímica do leite. Aproximadamente 35% das proteínas do leite são beta-caseínas. Doze mutações neste gene já foram encontradas em bovinos. No entanto, as duas formas prevalentes encontradas no leite são a beta-caseína A1 e a beta-caseína A2.

A maioria do leite bovino produzido comercialmente contém ambas proteínas (A1 e A2), outros possuem apenas o alelo A1 e em poucos casos, apenas o alelo A2. As proteínas A1 e A2 são quase idênticas na sequência dos seus 209 aminoácidos, no entanto, uma única substituição da prolina 67 (proteína A2) por uma histidina (proteína A1) causa diferenças interessantes.  A presença da histidina 67 na proteína A1, permite sua proteólise no trato gastrointestinal que resulta em um peptídeo conhecido como beta-casomorfina-7 (BCM-7). Diferentemente, a beta-caseína A2, que apresenta uma prolina na posição 67 da cadeia de aminoácidos, não é hidrolisada e impede a produção de BCM-7. 

BCM7 é um importante peptídeo bioativo com forte atividade opióide, que desempenha um papel no desenvolvimento de algumas doenças, inclusive sendo sugerido recentemente, como agravante em quadros de intolerância a lactose. A beta caseína A1 também é considerada um fator de risco para doença cardíaca isquêmica, síndrome da morte súbita infantil, agravamento de sintomas associados a esquizofrenia e autismo, diabetes tipo 1 (Kamiński et al., 2007; Caroli et al., 2009; Mishra et al., 2009; Pal et al., 2015, Massela et al, 2017).

O papel da beta-caseína A1 como variante indesejada tem levado à tentativa de seleção de vacas leiteiras para produção exclusiva de leite do tipo A2. Programas de triagem e cruzamentos estão sendo implementados a fim de favorecer a variante A2 desejável entre as raças leiteiras em diversos países. Na vanguarda desde 2003, a Nova Zelândia, vem selecionado rebanhos de vacas que produzem leite apenas com a variante A2 com o lançamento no mercado de leite A2. Muitos estudos têm sido feitos no Brasil para seleção de rebanhos A2A2, para a produção de produtos lácteos menos alergênicos.

A Scienco Biotech aposta no impacto da ciência nacional para que em breve tenhamos produtos lácteos menos alergênicos ao alcance de todos os brasileiros!

Autora: Maria de Lourdes Borba Magalhães, PhD

Referências

A. M. Caroli, s. Chessa , and g. J. Erhardt  J. Dairy Sci. 92 :5335–5352. Invited review: milk protein polymorphisms in cattle: effect on animal breeding and human nutrition

Elisa Massella, Silvia Piva, Federica Giacometti, Gaetano Liuzzo, Angelo Vittorio Zambrini, andAndrea Serraino Ital J Food Saf. 2017 Aug 16; 6(3): 6904.Evaluation of bovine beta casein polymorphism in two dairy farms located in northern Italy

Mishra et al., 2009 Indian Journal of Animal Sciences, 79(7) 722-725, july 2009. Status of Milk protein, B casein variants among Indian Milch animals.

Stanisław Kamiński, Anna Cieślińska, Elżbieta Kostyra Journal of Applied Genetics September 2007, Volume 48, Issue 3, pp 189–198|  Polymorphism of bovine beta-casein and its potential effect on human healt.

Pal S, Woodford K, Kukuljan S, Ho, Nutrients. 2015 Aug 31;7(9):7285-97. Milk Intolerance, Beta-Casein and Lactose.

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