A forma clássica do DNA, em dupla-hélice, identificada na década de 50, ainda gera muitos questionamentos em relação a sua sustentação. No passado acreditava-se que as principais forças estabilizadoras para a manutenção da dupla fita de DNA seriam as ligações de hidrogênio entre as bases nitrogenadas. 

DNA dupla-hélice
Crédito: Yen Strandqvist/Chalmers University of Technology

Na verdade, hoje percebe-se que as principais forças estabilizadoras são as interações hidrofóbicas entre as bases nitrogenadas, mantendo o interior da dupla hélice tão apolar que as ligações de hidrogênio potencializam sua capacidade para um reconhecimento correto.

O artigo recentemente publicado por cientistas da Chalmers University of Technology mostrou que agentes semi-hidrofóbicos diminuem esta energia de “stacking” entre as bases, levando a exposição de algumas regiões no interior da dupla hélice, o que permitiria uma melhor mobilização do DNA.

Com tais estudos, abre-se uma nova área de estudo em que enzimas modificadoras de DNA utilizem resíduos hidrofóbicos para auxiliar na catálise, e talvez este seja um mecanismo universal das “DNA enzymes” que possa ser explorado no futuro pela ciência.

Autora: Maria de Lourdes Borba Magalhães, PhD.

Referências

FENG, Bobo et al. Hydrophobic catalysis and a potential biological role of DNA unstacking induced by environment effects. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 116, n. 35, p. 17169-17174, 2019.

ZHANG, Yorke et al. A semi-synthetic organism that stores and retrieves increased genetic information. Nature, v. 551, n. 7682, p. 644, 2017.

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